Associação Comercial de São Paulo homenageia Casa da Bóia como uma de suas mais antigas associadas

Aconteceu na noite ontem, 8 de novembro, na sede da entidade, na capital paulista, a solenidade que comemorou os 120 anos da Associação Comercial de São Paulo – ACSP. No evento, a Casa da Bóia recebeu uma homenagem por ser uma das mais antigas associadas.

Segundo Rogério Amato, presidente da ACSP, em todo o Brasil, apenas 190 entidades e empresas ultrapassaram os cem anos de atividades, dentre elas, a própria Associação Comercial.

A Casa da Bóia foi fundada em 1898, pelo imigrante sírio Rizkallah Jorge Tahan, que desembarcou em São Paulo três anos antes e, ao contrário da maioria dos imigrantes árabes, que se dedicaram ao comércio, principalmente de tecidos, Rizkallah seguiu outro rumo.

As habilidades de Rizkallah Jorge estavam ligadas à manipulação de um metal milenar: o cobre. Técnicas de metalurgia que o Brasil desconhecia àquela época.

Rizkallah fundou a “Rizkallah Jorge e Cia”, a primeira empresa de São Paulo, e possivelmente do Brasil, a fabricar peças de decoração em cobre. Anos mais tarde, por priorizar a fabricação de metais sanitários, dentre eles boias de caixa d’água, ficou conhecida como “Casa da Bóia”.

A empresa se associou à ACSP em 1919, sendo uma de suas associadas mais antigas.

Mário Roberto Rizkallah, atual diretor da empresa é neto do fundador e lembra que, assim como a ACSP, a Casa da Bóia vem sendo testemunha e ao mesmo tempo protagonista do crescimento de São Paulo.

“Receber esta homenagem da Associação Comercial é um reconhecimento do esforço que fazemos para manter uma empresa com os mesmos princípios de ética, de qualidade e de responsabilidade que nortearam meu avô enquanto esteve à frente do negócio. Me sinto honrado e emocionado ao ver que o legado de Rizkallah Jorge é uma referência no comércio paulista”, declara Mário Rizkallah.

Memória que não se apaga

A sede da Casa da Bóia, um imponente sobrado na rua Florêncio de Abreu, 123, no centro de São Paulo, é referência também quando se fala em preservação de um patrimônio privado que já se tornou um bem arquitetônico da capital paulista.

“Nossa sede é um casarão do início do Séc. XX, concluída em 1909. Chegou a ser a fábrica, a loja e a residência de meu avô. Quando fizemos 100 anos de atividades, em 1998, resolvi promover uma restauração da fachada do imóvel e de dos cômodos que abrigavam os quartos da família.”, explica Mário Rizkallah.

O resultado do trabalho de preservação e restauração pode ser visto no museu que a empresa mantém em sua sede, com documentos, fotos, mobiliário, máquinas, ferramentas e peças antigas fabricadas na empresa no início do Séc. XX.

Da rua é possível observar os detalhes do sobrado construído em estilo “art noveau”, que, assim como a empresa que abriga em seu interior, resiste ao passar dos anos no mesmo lugar e continua a contribuir para a história comercial e cultural da cidade de São Paulo.

Mais informações:
Eduardo Grigaitis – MTb: 22.549
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